|  Autor: Prof. Perboyre Castelo - Presidente da ABRO* Nos últimos anos, grupos de consumidores, ambientalistas, mídia noticiosa, agências governamentais e profissionais de saúde cada vez mais preocupados com o potencial de riscos das exposições aos raios X. Como resultado, o uso dos mesmos, nos diagnósticos médicos e odontológicos estão sendo questionados. Os pacientes têm muitas perguntas sobre os raios X, outros resolvem não mais se expor e questionam o cirurgião- dentista sobre o perigo da radiciação. A má informação, o desconhecimento, geram medo e a conseqüente recusa do paciente de se expor a radiciação X. Pacientes bem informados discutirão e compreenderão a necessidade da utilização dos raios X com finalidade de diagnóstico. Considerando o grande avanço da imagenologia em odontologia, o que torna a sua utilização cada vez mais freqüente, urge a necessidade de um profundo conhecimento e treinamento do cirurgião-dentista, possibilitando a execução do exame com segurança, precisão e qualidade. Com o objetivo de garantir a qualidade dos serviços prestados à população, assim como assegurar os requisitos mínimos de proteção radiográfica aos pacientes e profissionais, a Secretaria da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, publicou a portaria número 453, de 01 de junho de 1998, que estabelece as condições adequadas de proteção radiográfica em radiodiagnóstico médico e odontológico. Este regulamento técnico teve como base as DIRETRIZES BÁSICAS DE PROTEÇÂO RADIOGRÁFICA, estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde, Organização Internacional do Trabalho, da Agência Internacional da Energia Atômica, além das recomendações emanadas pelo Instituto de Radioproteção e Dosimetria da Comissão Nacional de Energia Nuclear (IRD/CENEN). UNIDADES DE MEDIDAS DE RADICIAÇÃO - A unidade de exposição é o R (Röentgen, hoje substituído pelo COULOMB/KG. Na unidade de absorção é o RAD, conhecido por dose e hoje readaptado para o GRAY (Gy), representando 100 RADS. - O REM (Röentgen equivalent man), é uma unidade de mensuração para valiar a capacidade de uma radiação causar danos nos tecidos. O REM foi substituído pelo SIEVERT (SV), e 1 SV é = 100REM. Em resumo: R- hoje COULOMB/KG = Exposição RAD – hoje GRAY (GY) = Absorção na pele REM – hoje SIEVERT (SV) = Efeito ou dose equivalente. Na radiologia odontológica em razão das peculiaridades dos tecidos irradiados e da qualidade (KV), da radiciação empregada, pode-se aceitar que 1 R = 1RAD = 1REM. DOSE DE RADICIAÇÃO é a quantidade total de radiciação emitida ou recebida por um organismo. Entidades de cunho Internacional, como a ICRP ( Internacional Comission on Radiological Protection U.S.A.), procuraram estabelecer um conceito de “DOSE MÁXIMA PERMISSÍVEL” geralmente expressa semanalmente, DMPS (Dose de Tolerância). Esta dose atualmente é de 5 R por ano, ou 0,1R/semana. Existe ainda o que chamamos de DOSE DE ERITEMA, a qual varia de 250 R a 750 R, dependendo da sensibilidade do individuo irradiado. Para segurança, as exposições empregadas em odontologia devem se restringir à metade da dose mínima (250 R). Em relação a radiogenética humana, o importante não é saber a dose-pele, mas quanto chegam as gônadas, havendo divergências sobre a dose gônadas, variando em torno de 1/1000 da dose-pele. As radiografias dentárias são realmente necessárias? Sim. Os processos mórbidos que envolvem os dentes e tecidos adjacentes nem sempre são visíveis durante um exame clínico da cavidade bucal. Sem o uso de radiografias, essas condições patológicas como lesões cariosas, cistos, tumores, e perda óssea periodontal podem passar desapercebidas por algum tempo. Mais tarde essas condições podem produzir dor e extenso dano tecidual, que custará para o seu tratamento mais tempo e dinheiro. As radiografias são executadas para o benefício do paciente, para que ele possa receber o tratamento apropriado nos estágios iniciais da doença. As alterações bucais não descobertas podem afetar adversamente a saúde geral do paciente ou até podem colocá-la em risco. As radiografias feitas anteriormente num outro Cirurgião Dentista podem ser usadas, ou há necessidade de pedir novas radiografias? Sim, desde que essas radiografias feitas anteriormente sejam de boa qualidade para o diagnóstico. Além disso, o Cirurgião Dentista pode precisar fazer mais algumas, para determinar as condições atuais da cavidade bucal. Se as radiografias anteriores são de má qualidade diagnóstica, o profissional deve fazer uma nova série de radiografias da boca completa independente do tempo em que foram feitas. Pode-se usar uma radiografia panorâmica ao invés de uma série completa de radiografia dentais? As radiografias panorâmicas são úteis para determinar a condição geral da saúde bucal de um paciente, e confirmar a presença de grandes lesões ósseas. Diferente das radiografias intrabucais, as radiografias panorâmicas não revelam com clareza pequenas lesões como cárie, perda óssea, e aumento do espaço periodontal. Alguns Cirurgiões dentistas usam uma radiografia panorâmica apenas, enquanto que outros preferem o uso de uma radiografia panorâmica com radiografias inter-proximais ao invés de uma série completa. É legalmente inadequado substituir uma radiografia panorâmica por uma série de boca toda. O que se segue é uma afirmação de Zinman: em 1977, o “Conciul of Dental Devices and Materials” confiou na pesquisa dentária existente ao afirmar que tomogramas (panorâmicas) eram diagnosticamente inferiores aos filmes periapicais. Em numerosos processos legais, que envolveram fraturas, defeitos periodontais inter-proximais, e cáries não tinham sido diagnosticados com um filme panorâmico mas foram detectados com o uso de radiografias peripicais. Se um paciente já recebeu radiação X excessiva por alguma outra razão, deve o cirurgião-dentista evitar fazer novas radiografias? Em outras palavras, radiografar um paciente depende do seu histórico radiográfico? Não. Mesmo que um paciente possa ter recebido altas doses de raio X, por causa de uma tomografia computadorizada, na região do tórax, abdômen, crânio, mãos ou pés, a decisão de radiografar os dentes e maxilares está baseada na necessidade de diagnóstico e tratamento dentário. Uma vez que se espera que as radiografias forneçam informações para o diagnóstico, elas devem ser feitas independente do histórico radiográfico do paciente. Se um paciente recebeu radiação para terapia do câncer na área da cabeça e pescoço, as radiografias dentais devem ser executadas? Sim. Um paciente nessas condições é mais suscetível à infecção dentária. Portanto, as radiografias de diagnóstico dentário são especialmente importantes para esses pacientes com a finalidade de detectar e controlar a formação de cáries e infecção óssea. Na verdade esses pacientes devem ser radiografados com mais freqüência do que os outros. Com que freqüência deve-se fazer radiografias em crianças? O intervalo entre as radiografias deve ser determinado em cada criança baseado na sua condição de saúde bucal. Em geral, as crianças são mais suscetíveis aos efeitos dos raios X que os adultos e, portanto o número de radiografias feitas deve ser o mínimo possível. Algumas crianças entretanto são mais suscetíveis à cárie dentária que outras, portanto requerem freqüentes exames radiográficos. Com que freqüência deve-se fazer radiografias em crianças? O intervalo entre as radiografias deve ser determinado em cada criança baseado na sua condição de saúde bucal. Em geral, as crianças são mais suscetíveis aos efeitos dos raios X que os adultos e, portanto o número de radiografias feitas deve ser o mínimo possível. Algumas crianças entretanto são mais suscetíveis à cárie dentária que outras, portanto requerem freqüentes exames radiográficos. Que quantidade de exposição recebem os órgãos reprodutores durante as tomadas de radiografias dentárias? Se uma paciente está grávida ou há suspeita de gravidez, deve-se adiar a tomada de radiografias? Se um avental de chumbo não for usado, os órgãos não protegidos recebem aproximadamente 0,4 mRad. (0,004 mGy) de dose de radiação em uma série completa de radiografias da boca. Os ovários não protegidos recebem aproximadamente 0,08 mRad (0,0008 mGy) de radiação.O uso de um avental de chumbo durante a exposição reduz essa radiação gonadal a quase zero para homens e mulheres. Clinicamente, um avental de chumbo deve ser usado em todos os pacientes todas as vezes mesmo quando a quantidade de radiação é minúscula. Às vezes um cirurgião-dentista pode determinar que uma mulher grávida necessite apenas de tratamento eletivo, e pode decidir adiar as radiografias e o tratamento até o período pós-parto. Embora a evidência científica indique que uma paciente grávida possa ser radiografada, a pressão psicológica e a preocupação, muitas vezes forçam o adiamento do exame. Que quantidade de exposição recebe a face do paciente nas tomadas radiográficas? Podem os raios X odontológicos provocar câncer de pele? Dependendo da técnica, equipamento, tipo de filme e fatores de exposição. A pele do paciente recebe aproximadamente 150 mR a 500 mR por tomada. Para produzir câncer de pele são necessárias exposições de milhares de roentgens. Isso não e possível como uso de aparelhos de raios X odontológicos que tem produções e dose muito muito baixas. Não existe um único registro de caso de um paciente que tenha desenvolvido câncer de pele usando radiografias dentárias para diagnóstico. Há casos documentados de profissionais que desenvolveram carcinomas em seus dedos, estes foram causadas por repetidas exposições durante anos em cirurgiões-dentistas que seguravam filmes para pacientes. Segundo Richards, 1 R é igual a 10 mAS, assim, se você utiliza em uma tomada um aparelho com 10 Ma e 0,5 segundos de exposição, teoricamente o paciente recebe 0.5 R de exposição em uma tomada periapiocal. Que quantidade de radiação um paciente recebe na radiografia panorâmica? Na radiografia panorâmica o aparelho gira ao redor da cabeça do paciente, portanto, a quantidade de exposição recebida é diferente para cada área. Isso torna difícil comparar com precisão a exposição recebida da radiografia panorâmica com a da série de boca todo. Entretanto em função de uma melhor colimação dos aparelhos panorâmicos (colimador em forma de fenda), estima-se que teoricamente uma radiografia panorâmica corresponda a 1/10 de 14 periapicais. Não se tem dúvida que a quantidade total de radiação recebida da radiografia panorâmica é menor que uma série completa da boca toda. Que quantidade de radiação X recebe a glândula tireóide nas radiografias dentais? É necessário usar um protetor? A exposição à radiação da glândula tireóide varia com o tipo de filme, técnica, e equipamento usado. Em uma série de boca toda a tireóide recebe de 35 mRad a 80 mRad (0,350 mGy a 0,80 mGy). Essa quantidade é muito menor que aquela recebida por esta glândula pela radiação de fundo natural. Sob as recomendações radiográficas atuais, a quantidade de radiação à essa área não é considerada grande o bastante para produzir efeitos danosos a esse tecido. Uma proteção da tireóide pode prevenir que a radiação externa alcance a glândula tireóide, porém não impede que a radiação X dispersa produzida pela face e pescoço a atinjam. De acordo com o “ BUREAU OF RADIOLOGICAL HEALTH” o uso de uma proteção à tireóide com chumbo é recomendado mas não imprescindível. Esta proteção não deve ser usada nas radiografias panorâmica e cefalométrica, porque protegeria parte da mandíbula invalidando o exame radiográfico destas áreas. Que quantidade de raios X recebem olhos nos exames radiográficos dentários? Eles podem causar catarata? Dependendo do tipo de filme, técnica e equipamento usado, o globo ocular recebe em um exame completa (boca toda) de 0,002 Rad 0,800 Rad (0,02 mGy a 8 mGy). Verificamos que essa quantidade é muito pequena, especialmente quando comparada aos 200 a 500 Rad necessários para a limiar de risco de catarata. Baseado na evidência cientifica disponível as baixas doses de radiação usadas no diagnóstico radiológico dentário não contribuem para o desenvolvimento de catarata. Por que os cirurgiões-dentistas e assistentes saem da sala quando o paciente está sendo radiografado? Quando um paciente é radiografado, ele recebe o benefício do diagnóstico e do tratamento subseqüente. Não existe razão lógica para a exposição desnecessária do profissional e do assistente à radiação, sem qualquer benefício correspondente a diagnóstico ou tratamento. Além disso, os odontólogos e assistentes são expostos várias vezes por dia, e continuamente, portanto é prudente que a equipe evite a exposição desnecessária. Existe um risco de AIDS por tirar radiografias odontológicas? A radiografia dentária é um procedimento não invasivo, ou seja, a possibilidade do sangue do paciente entrar em contato com a pessoa ao fazer a radiografia é minúscula, a menos que os tecidos bucais estejam lesionados. Preocupações adicionais como o uso de luvas, esterilização dos instrumentos e outros meios que controlem a infecção, tornam a radiografia dentária um dos mais seguros procedimentos em odontologia. As radiografias pertencem ao paciente ou ao dentista? Toda documentação do tratamento dentário, inclusive as radiografias é propriedade do cirurgião-dentista; porém, o paciente tem acesso aos registros. Uma cópia das radiografias pode ser enviada a outro profissional ou pode ser dada ao paciente. Se, por alguma razão, o cirurgião-dentista tiver que enviar os originais, à outro profissional então uma cópia diagnosticamente aceitável deve ser retida no prontuário do paciente. CONCLUSÃO Embora o risco de efeitos somáticos e genéticos dos raios x para diagnóstico dental seja mínimo, cirurgiões-dentistas e assistentes devem fazer uma abordagem preventiva. As radiografias devem ser feitas após o exame clínico da cavidade bucal. É contraindicado o uso indiscriminado da radiografia. As radiografias dentárias são essenciais para o benefício do paciente para diagnosticar, tratar, e prevenir doenças. Com um equipamento calibrado, técnicas adequadas, filmes mais sensíveis, radiografias dentais digitais, e o uso criterioso, o risco de efeitos danosos das radiografias é quase inexistente. Fonte: *ABRO - Associação Brasileira de radiologia Odontológica
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