Caro[a] amigo[a]
O Brasil caminha para a sexta eleição presidencial de sua jovem democracia. O país vive um grande momento económico. Há avanços em todos os setores, mas também muito ainda a ser feito, sobre tudo na área de saúde pública. Uma das conquistas da Constituição de 1988 foi o Sistema Único de Saúde [SUS], que vem se tornando um paradigma de universalização dos serviços médicos, copiado e debatido mundo afora. Apesar de seus méritos, o SUS ainda tem problemas a serem equacionados, conforme admitiu recentemente o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Segundo ele, o financiamento do sistema é precário e ainda não existe acesso universal a saúde
As deficiências valem para todas as enfermidades, mas são especialmente graves no caso do câncer - terceira doença que mais mata no Brasil, com 500 mil novos casos previstos em 2010. Um exemplo de descaso do poder público diz respeito ao quinto tipo de tumor mais frequente do mundo, o linfoma, doença que atingiu a ex-ministra Dilma Roussef e afeta cerca de 10 mil pacientes por ano.A maioria dos linfomas é tratado com quimioterapia, radioterapia ou ambos, e em determinados casos é necessário o transplante de medula óssea. Os pacientes de linfoma atendidos pelo SUS enfrentam inúmeros problemas . Desde a falta de equipamentos e de exames adequados para diagnóstico e avaliação de prognóstico [como a tomografia pelo PET-CT ou PET scan], passando pela dificuldade de acesso aos medicamentos mais modernos e demora na localização de doadores de medula óssea até a falta de leitos para realização de transplantesA droga utilizada pela ex-ministra Dilma Roussef, o [rituximabe], já aprovado pela Anvisa há mais de uma década, ainda não está disponível aos pacientes do SUS. Muitas vezes são necessárias ações judiciais para obrigar o estado a fornecê-la - só levadas adiante por pacientes que conhecem seus direitos. Ao mesmo tempo, o profissional de saúde tem cerceada sua liberdade em prescrever o procedimento mais indicado por causa dos defasados valores de reembolso autorizações para procedimentos de alta complexidade [Apacs], cujos valores estão congelados desde 1998! pior: não há transparência nem prazos definidos no processo de avaliação e incorporação de novas tecnologias [remédios e exames] ao sistema público.O processo eleitoral começou. É o momento adequado para o debate de temas relevantes para o futuro dos brasileiros, e a questão do câncer não pode ficar de fora. quais são as ideias ou propostas dos homens e mulheres que pretendem governar o Brasil nos próximos quatro anos? O que prevêem os programas de governo dos partidos políticos? O câncer será tratado com promessas vagas ou com a profundidade que exige?O Brasil precisa desse debate, e os milhões de doentes exigem uma solução e o fim dos obstáculos para que estejam efectivamente disponível os tratamentos mais modernos e reconhecidos pela comunidade mundial. Cabe a nós a construção de um SUS mais justo e a escolha de nossos dirigentes. Carinhoso abraço , Sintrab.pb